Quase 270.000 deslocados por incêndios que assolam Espanha e França
Espanha e França evacuaram quase 270.000 pessoas devido a incêndios florestais fora de controle que devastam a famosa região vinícola e turística de Bordeaux e a área ao redor de Madri neste sábado (25).
Dois incêndios florestais distintos se fundiram na sexta-feira, na parte oeste da região de Madri, formando um incêndio de grandes proporções que quase se uniu a outro foco na região vizinha de Castela e Leão.
As chamas já consumiram 25.000 hectares entre Madri e a província adjacente de Ávila, e mais de 70.000 pessoas foram forçadas a deixar suas casas, segundo autoridades, que descreveram o incêndio como o "pior da história" na região.
Além disso, quase 1.200 idosos e pessoas com deficiência foram evacuados na sexta-feira de instalações de saúde e lares de idosos.
Embora ainda longe da capital, as chamas afetam áreas residenciais densamente povoadas, muitas vezes cercadas por colinas, áreas arborizadas e vegetação rasteira que facilitam a propagação do fogo.
"Pensei que tudo ia queimar, a casa, tudo. Eu já tinha arrumado uma mala com o essencial", disse Jacqueline Villafranca, uma peruana de 38 anos, que na sexta-feira foi retirada da localidade de Navalagamella e levada de ônibus, junto com o marido e duas filhas, de 16 e 2 anos, para Alcobendas, em Madri.
"Aqui o ar está normal, ontem estava insuportável. Os olhos ardem. Minha filha voltou do acampamento e me disse: 'Mãe, não consigo abrir os olhos, estão ardendo'. E então começaram a tocar os alertas nos telefones", conta ela.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, declarou neste sábado, em uma das áreas afetadas, que a "prioridade" é "preservar vidas".
A situação "continua complexa" porque "as temperaturas caíram, mas não sabemos exatamente como os ventos vão se comportar", acrescentou.
Por enquanto, as autoridades não relataram vítimas, mas o governo regional de Madri informou na rede social X que mais de 2.000 pessoas estavam sendo atendidas em 14 centros de emergência.
"Há incêndios todos os verões", mas "este foi enorme", disse à AFP Mar Nicolás, prefeita da cidade de Brunete, localizada muito perto de outras áreas evacuadas ou atingidas pelas chamas.
Na localidade de El Escorial, a noroeste da capital, um mosteiro histórico ficou envolto em fumaça, observou uma repórter da AFP.
- "Desolação" -
Na França, o fogo se concentra em dois departamentos do sudoeste do país e gera temores sobre a cidade de Bordeaux.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou neste sábado que 167 mil pessoas foram evacuadas no departamento de Gironde, além de cerca de 30 mil evacuadas no departamento vizinho de Landes.
Em Gironde, cuja capital é Bordeaux, "o fogo foi menos violento esta noite do que temíamos", declarou Nuñez, que falou de uma pequena "trégua".
Escolas e ginásios esportivos foram transformados em abrigos de emergência para turistas e moradores, que se perguntavam o que encontrariam ao retornar.
"É uma desolação", suspira Matthieu Plessis, de 40 anos, ao descobrir suas galinhas com a plumagem enegrecida e as ruínas ainda fumegantes de sua casa perto da cidade de Lège-Cap-Ferret, em Gironde, no sábado.
"Foi um inferno. Às três da tarde já estava escuro, havia muita fumaça e vimos os bombeiros indo embora aos poucos. O vento mudou e não havia mais ninguém para proteger as casas", relata.
A França anunciou que mobilizará mais 500 militares, elevando o total para 1.500, para apoiar as evacuações e proteger as casas que ficaram sem vigilância.
Tanto na França quanto na Espanha, esses incêndios são resultado da maior inflamabilidade das florestas e da vegetação, causada pela seca e pelas ondas de calor excepcionais que têm ocorrido na Europa desde junho.
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O.Lindberg--StDgbl