Stockholms Dagblad - Ex-deputado federal Alexandre Ramagem deixa a prisão nos EUA

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Ex-deputado federal Alexandre Ramagem deixa a prisão nos EUA
Ex-deputado federal Alexandre Ramagem deixa a prisão nos EUA / foto: Mauro PIMENTEL - AFP/Arquivos

Ex-deputado federal Alexandre Ramagem deixa a prisão nos EUA

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, deixou, nesta quarta-feira (15), a prisão nos Estados Unidos, após ser detido por alguns dias por agentes de imigração, informou sua esposa.

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Foragido da Justiça, Ramagem — que é delegado da Polícia Federal e dirigiu a Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) — foi condenado a 16 anos de prisão no mesmo processo que resultou na condenação do ex-presidente.

Juntos, ambos foram considerados culpados de conspirar para manter o ex-presidente no poder, apesar de sua derrota nas eleições de 2022 para o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Graças a Deus pela chegada do Alexandre, que renova em nós a esperança, o amor e o sentido de tudo que enfrentamos até aqui", escreveu no Instagram sua esposa Rebeca Ramagem, ao publicar um vídeo do político abraçado por ela e suas duas filhas.

Os aliados de Ramagem atribuíram a libertação ao presidente americano Donald Trump, que, no ano passado, lançou uma ofensiva comercial contra o Brasil por considerar o julgamento contra seu aliado Bolsonaro "uma caça às bruxas", antes de uma aproximação com Lula.

"Agradeço principalmente ao Presidente @realDonaldTrump [Donald Trump] e ao Secretário @SecRubio [Marco Rubio] pela sensibilidade em tratar do caso deste verdadeiro herói nacional", escreveu no X Eduardo Bolsonaro (PL-SP), um dos filhos do ex-presidente e ex-deputado federal radicado nos Estados Unidos.

- Situação 'regular' -

Ramagem fugiu do Brasil pela Guiana em setembro, sem passar por controle migratório e entrou nos Estados Unidos com um passaporte diplomático, segundo a imprensa brasileira. O Brasil solicitou formalmente a sua extradição em dezembro.

Na segunda-feira, o ex-deputado foi detido por agentes da polícia de imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) em Orlando, na Flórida.

Segundo a Polícia Federal brasileira, a prisão foi "fruto da cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado".

O influenciador Paulo Figueiredo, muito próximo da família Bolsonaro e também radicado nos Estados Unidos, negou então qualquer participação das autoridades brasileiras na detenção de Ramagem.

Segundo o influenciador, Ramagem espera a tramitação de um pedido de asilo e foi detido "por uma infração leve de trânsito".

Figueiredo também indicou no X que Ramagem não pagou fiança para sair da prisão porque "foi verificado que a situação imigratória dele é absolutamente regular". "Ele não responderá a nenhum processo criminal."

Nesta quarta-feira, o nome de Ramagem, de 53 anos, não aparecia nas buscas no site do ICE, onde constava há dois dias.

A polícia de imigração dos Estados Unidos, por sua vez, não respondeu oportunamente aos pedidos de explicação da AFP.

- Espionagem -

Homem de confiança de Bolsonaro, Alexandre Ramagem comandou a Abin entre 2019 e 2022. Depois, elegeu-se deputado federal para o período 2023-2027, mas perdeu o cargo em dezembro após ser condenado pelo STF.

Sua gestão à frente da Abin foi objeto de investigações policiais sobre uma suposta rede de espionagem ilegal de opositores a Bolsonaro. Por esse caso, a Polícia Federal recomendou no ano passado o indiciamento de Ramagem e outras 30 pessoas, incluindo Carlos Bolsonaro, outro filho do ex-presidente.

Os investigadores suspeitam que funcionários da Abin usaram o programa israelense de espionagem FirstMile para monitorar ilegalmente personalidades políticas e jornalistas.

Jair Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos de prisão em sua residência em Brasília, depois que o ministro do STF Alexandre de Moraes permitiu que ele deixasse a prisão temporariamente por motivos de saúde.

Impedido de concorrer nas eleições, o ex-presidente designou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como candidato para enfrentar Lula no pleito de outubro.

J.Arvidsson--StDgbl