Falhas de segurança pesam sobre Netanyahu em reta final de campanha em Israel
A poucas semanas das eleições legislativas, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, se vangloria de ter acabado com os inimigos de Israel, mas, três anos depois do ataque do Hamas de 7 de outubro, seus críticos o acusam de não ter protegido o país.
Netanyahu, o primeiro-ministro israelense que esteve no cargo por mais tempo, fez da segurança o eixo central de sua doutrina. No entanto, antes das eleições de 27 de outubro, que se anunciam muito disputadas, sua permanência no poder está por um fio, e seus críticos o acusam de ter falhado neste objetivo.
Durante uma cerimônia oficial de homenagem às vítimas do 7 de outubro, o pai de um dos 1.221 mortos confrontou o dirigente israelense, de 76 anos.
"Você não soube proteger meu filho em 7 de outubro nem as outras 1.200 pessoas assassinadas. Você deveria se envergonhar!", disse.
O Hamas sofreu milhares de baixas ao longo de dois anos de campanha israelense em Gaza, e seus principais líderes foram mortos, embora o movimento islamista palestino esteja longe de ter sido "eliminado", como prometeu o governo de Netanyahu.
Algo semelhante ocorreu no Líbano com o movimento pró-Irã Hezbollah, e com o próprio regime de Teerã. O líder supremo Ali Khamenei foi assassinado no primeiro dia da ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos, em 28 de fevereiro, mas a república islâmica, arqui-inimiga de Israel, continua de pé.
- "Ele sabia que algo ia acontecer" -
A oposição acusa Netanyahu de ter sido incapaz de evitar os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, apesar dos alertas sobre uma ameaça.
O incidente durante o voo da Flydubai para Tel Aviv na semana passada, frustrado após a intervenção dos passageiros, a maioria israelenses, ressaltou as falhas de segurança.
Estas críticas "podem fragilizar Netanyahu porque colocam o foco em sua principal fraqueza: a confiança em sua capacidade de proteger os israelenses", explicou à AFP Michael Horowitz, analista independente especialista em geopolítica.
A situação se tornou ainda mais complicada para o primeiro-ministro quando meios de comunicação locais e americanos revelaram, no mês passado, que os Emirados Árabes Unidos e o Egito o haviam advertido, alguns dias antes de 7 de outubro, de que o Hamas poderia estar preparando um ataque em grande escala.
Segundo o jornal israelense de esquerda Haaretz, Netanyahu não teria informado aos serviços de segurança sobre a ameaça. O dirigente negou esta informação, o que serviu de argumento de crítica para a oposição.
"Ele sabia que algo ia acontecer", acusou Gadi Eisenkot, um ex-alto comandante militar que é seu principal adversário nas eleições, durante uma conferência sobre combate ao terrorismo.
Junto a outros opositores, ele reivindica a criação de uma comissão nacional de investigação para determinar os responsáveis pelas falhas de segurança de 7 de outubro, algo que o governo tem se recusado até agora.
- "Análise exaustiva" -
O caso da Flydubai reacendeu as críticas sobre a gestão da segurança. Embora o primeiro-ministro tenha conseguido, em um primeiro momento, tirar proveito deste incidente, seu governo é acusado de ter fracassado nas medidas de proteção em aviões com destino a Israel.
"Exatamente três anos depois da mais terrível falha de segurança na história do Estado de Israel (...), uma nova falha foi revelada" com este episódio, escreveu na segunda-feira o importante editorialista Ben Caspit nas páginas do jornal Maariv.
O principal questionamento é se foram realizadas verificações de antecedentes sobre o copiloto omanense, acusado de agredir o capitão e tentar derrubar o avião.
Os apelos para que a ministra dos Transportes, Miri Regev, renuncie também ganham força. Enquanto isso, Netanyahu ordenou no domingo uma "análise exaustiva" das medidas de segurança nos voos.
Apesar destas polêmicas, as pesquisas mostram que, embora a popularidade do premiê esteja em queda em relação à de Eisenkot, nenhum dos dois gera um amplo consenso no país.
Para Horowitz, Netanyahu "pode convencer seus eleitores de que soube como responder", relegando as falhas de segurança a um segundo plano e fazendo prevalecer as vitórias militares em Gaza e no Líbano.
I.Pettersson--StDgbl