Ciberataque estraga grande quantidade de produtos em supermercados na França
Vários supermercados franceses sofreram, na noite de domingo (11), um ciberataque contra seus sistemas de refrigeração, o que levou ao descarte de grandes quantidades de produtos frescos e congelados, informaram as empresas afetadas e o Ministério Público.
Entre os prejudicados estão ao menos 300 lojas da rede Intermarché/Netto, menos de uma centena da Coopérative U, "várias lojas" do grupo E.Leclerc, 80 do Carrefour e cerca de 30 da Monoprix, confirmaram esses distribuidores à AFP.
Segundo o canal de notícias BFMTV, os hackers conseguiram ativar à distância o ciclo de descongelamento das instalações frigoríficas, provocando perdas de mercadorias.
O Ministério Público de Paris abriu uma investigação para determinar o alcance do ataque, que também provocou alguns focos de incêndio.
Na rede social X, o diretor-geral da Coopérative U, Dominique Schelcher, confirmou que um "ciberataque" vinha afetando, desde a noite anterior, os sistemas de produção de frio de vários estabelecimentos da rede.
"Atacar equipamentos essenciais para a conservação de produtos frescos e o abastecimento alimentar dos franceses é de uma gravidade extrema e não tem precedentes", afirmou.
O comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen, por sua vez, condenou "energicamente" no X o ciberataque e pediu "maior atenção" à "segurança alimentar".
A pedido do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação foi mobilizada, tanto "em nível francês, para apoiar as possíveis vítimas, quanto em nível europeu, para se coordenar com suas homólogas".
O Ministério Público de Paris anunciou a abertura de uma investigação sobre esse "ciberataque em larga escala contra refrigeradores conectados de vários supermercados em todo o território francês".
A apuração, a cargo do Escritório de Anticibercriminalidade (OFAC), "deverá identificar as vítimas e avaliar os danos causados, tanto pela perda de alimentos quanto pelos incêndios reportados", detalhou.
Segundo uma fonte próxima ao caso, o ataque teve como alvo sistemas de regulação frigorífica fabricados pela empresa dinamarquesa Danfoss, utilizados por diversas redes de supermercados na França.
Os autores do ataque teriam modificado à distância os parâmetros de temperatura, causando a destruição de estoques de produtos frescos e congelados.
A empresa escandinava explicou à AFP que "a maioria das unidades afetadas é de produtos antigos (...), que chegaram ao fim de sua vida útil e já não recebem atualizações de software, nem de segurança".
Também destacou que "há muito tempo recomenda a seus clientes manter atualizados os sistemas compatíveis e migrar os sistemas herdados para soluções de última geração".
ac-mk-max-fbe/abb/er/meb/avl/aa/mvv
O.Lindberg--StDgbl