Sob risco de fechamento, Casa da América Latina de Paris comemora seus 80 anos
A Casa da América Latina de Paris celebra, nesta quinta-feira (15), seu 80º aniversário com um apelo para lutar "até o fim" para evitar a perda de sua sede, colocada à venda pelo Banco da França em junho.
Dezenas de pessoas se reuniram nos dois palacetes do século XVIII que abrigam a instituição desde 1965 para relembrar sua história, desde sua criação, em 1946, por iniciativa do general Charles de Gaulle, até as intervenções dos presidentes François Mitterrand, em 1981, e Jacques Chirac, em 2003, para "salvá-la".
Mas a comemoração é marcada pela ameaça de fechamento da Casa da América Latina. O Banco da França, proprietário dos edifícios, colocou o complexo à venda por 100 milhões de euros (R$ 565,9 milhões), sem exigir que os futuros compradores mantenham em suas instalações a "MAL", sigla de "Maison de l’Amérique Latine", seu nome em francês.
"Lutaremos até o fim (...) Seria uma verdadeira pena que, justamente quando celebramos os 80 anos de existência e atividade da Casa da América Latina, ela desaparecesse", disse seu presidente, o ex-embaixador francês Jean-Marc Laforêt.
Criada em 1946 para promover as relações entre França e América Latina, como forma de contrabalançar a influência dos Estados Unidos e da então União Soviética, a instituição é atualmente um polo cultural, embora tenha sido alvo, nos últimos anos, de críticas à sua gestão e à suposta proximidade com organizações de esquerda.
O anúncio da venda provocou comoção entre grupos intelectuais e culturais ligados à região em Paris. Mais de 26 mil pessoas assinaram uma petição que pede ao presidente francês, Emmanuel Macron, que evite o "desaparecimento" da sede.
Entre os signatários estão três ex-primeiros-ministros, incluindo Dominique de Villepin, além de deputados, senadores e ex-ministros franceses, assim como a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, intelectuais e artistas, informou Laforêt.
Em declarações à AFP, o ex-presidente francês François Hollande, a quem Mitterrand encarregou, em 1981, de buscar uma solução para equilibrar as contas da instituição, pediu ao governo que atue para garantir que a eventual venda inclua uma cláusula que permita à Casa permanecer em sua sede histórica.
"Não se trata de interferir na vida do Banco da França, mas simplesmente de dizer que seria necessário incluir essa cláusula para permitir que a Casa da América Latina permaneça onde está", explicou o atual deputado socialista.
"Cabe ao presidente da República, em qualquer caso, expressar esse desejo, e ao Banco da França compreender seu significado", acrescentou.
Nem a Presidência francesa nem o Ministério das Relações Exteriores responderam, até o momento, às solicitações da AFP.
A identidade do eventual comprador deve ser conhecida no fim de novembro, segundo o jornal Libération.
P.Jakobsson--StDgbl