Inflação volta a subir nos EUA em setembro, a dois meses das legislativas
A inflação ainda afeta as famílias americanas, com a energia impulsionando o índice de preços ao consumidor, em um momento em que o poder de compra se consolidou como um dos temas centrais da campanha para as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.
A inflação nos Estados Unidos manteve a trajetória de alta em setembro, com um aumento de 3,7% em relação ao ano anterior, impulsionado, sem surpresas, pelos preços da energia, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (14).
Na comparação mensal, o índice de preços ao consumidor (IPC) seguiu a mesma tendência, com alta de 0,6%, ante 0,4% no mês anterior, embora alinhado com as expectativas dos analistas, segundo o consenso publicado pela MarketWatch.
Em agosto, a inflação tinha ficado em 3,4% na comparação anual. Os analistas esperavam um IPC mais elevado, na casa dos 3,6% em relação ao ano anterior.
Como consequência direta desses números, os rendimentos dos títulos da dívida pública americana dispararam nesta quarta-feira: o título a dez anos, principal referência, atingiu 5,32%, frente a 5,21% no fechamento de terça-feira.
Naturalmente, os credores exigem juros mais elevados para compensar a inflação, que reduz suas margens. No entanto, o aumento não deve necessariamente levar o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a acelerar seu cronograma de possíveis aumentos dos juros, após ter elevado sua taxa básica na última reunião.
Vários membros de seu Comitê de Política Monetária (FOMC) já sinalizaram que não preveem um novo aumento na próxima reunião, em 27 e 28 de outubro.
James Knightley, economista do ING, destaca que os dirigentes do Fed John Williams, Philip Jefferson e Christopher Waller têm sugerido que "não é necessário realizar aumentos consecutivos das taxas de juros" e se mostraram mais favoráveis a uma abordagem "lenta e constante". Ele prevê que o Fed aja com "prudência e cautela" no ajuste de sua política monetária.
Os mercados, por sua vez, estão mais divididos, uma vez que novos dados sobre a inflação levam alguns a vislumbrar um aumento já no final do mês.
De fato, cerca de 50% dos participantes do mercado preveem uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros do Fed nesta reunião, segundo a ferramenta de monitoramento FedWatch, da CME, enquanto na terça-feira mais de 70% esperavam a manutenção das taxas no final de outubro.
A Bolsa de Nova York permaneceu estável durante toda a sessão e fechou em queda após a divulgação do IPC.
- Questão política -
O relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Departamento do Trabalho indicou que os custos da gasolina foram responsáveis por mais da metade do aumento da inflação, disparando 9,1% em um mês.
Exceto os preços voláteis de alimentos e energia, o IPC "subjacente" subiu 2,6% em termos anuais.
Em um mês, a inflação subjacente avançou 0,3%, um aumento semelhante ao observado em agosto, mas ligeiramente acima das expectativas do mercado, que esperava uma leve desaceleração.
No entanto, o preço da energia subiu 5,2% em um mês, com destaque para o diesel, que teve alta de 15,3%, índices muito superiores aos registrados em agosto.
O Federal Reserve destacou em seu relatório de conjuntura conhecido como "Livro Bege" que a alta dos preços da energia afeta os custos de toda a cadeia de suprimentos.
J.Jonsson--StDgbl