Autoridades econômicas discutem inflação e dívida em fórum do FMI e do Banco Mundial
Ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais reúnem-se nesta semana na Tailândia para os encontros anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em um momento em que a economia global enfrenta o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o mercado da energia e a ascensão da inteligência artificial.
As reuniões ocorrem de segunda a sábado em Bangcoc e permitirão às autoridades discutir opções difíceis. O FMI pediu aos governos que controlem os gastos, mesmo diante das crescentes necessidades de suas populações vulneráveis à inflação e aos riscos climáticos.
A semana contará com uma série de reuniões de alto nível a portas fechadas, eventos públicos e anúncios de políticas por parte das principais autoridades econômicas do mundo.
Na terça-feira, o FMI apresentará suas previsões econômicas globais, juntamente com projeções regionais ao longo da semana, enquanto as autoridades discutem medidas para enfrentar as dificuldades econômicas que se avizinham.
"Em termos simples, a economia global está sendo puxada em duas direções opostas: um impacto negativo na oferta da energia e um impacto positivo na demanda provocado pela inteligência artificial", comentou a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, na semana passada em Singapura, durante um evento que antecedeu as reuniões.
- "Tempestade perfeita" -
Uma preocupação central é o impacto da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que disparou os preços da energia, em parte devido às represálias de Teerã com ataques a aliados de Washington no Golfo e o bloqueio do trânsito de petróleo na região.
O FMI alertou que os efeitos desse choque têm sido desiguais e afetam mais severamente os países em desenvolvimento que dependem de energia importada.
Apesar da crise, o FMI recomendou aos países que contenham os gastos com subsídios e, em vez disso, adotem medidas de amortecimento fiscal para enfrentar os choques econômicos.
Críticos apontam que essa abordagem não é viável para países de baixa renda e que os organismos multilaterais de crédito deveriam oferecer mais ajuda.
"Os Estados mais pobres membros do FMI e do Banco Mundial enfrentam dificuldades devido aos efeitos da guerra no Irã, às taxas de juros crescentes no Ocidente e a uma crise climática agravada pelo fenômeno El Niño", comentou Kevin P. Gallagher, diretor do Centro de Política de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston.
"O FMI e o Banco Mundial não estão à altura das circunstâncias. É necessária uma resposta ambiciosa que forneça liquidez de emergência a curto prazo, juntamente com financiamento de longo prazo para tornar as trajetórias de crescimento econômico menos vulneráveis a essas perturbações", acrescentou.
Segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), os choques combinados "poderiam levar mais milhões de pessoas à pobreza, enquanto os países em desenvolvimento lutam para manter a ajuda às famílias".
"A alta nos preços do petróleo e dos alimentos deixa milhões de famílias sem margem de segurança", apontou o administrador do PNUD, Alexander de Croo.
"Estamos presenciando uma tempestade perfeita que poderia levar dezenas ou centenas de milhões de pessoas à pobreza", afirmou.
- Ascensão da IA -
As economias avançadas da Europa e dos Estados Unidos conseguiram contornar melhor a turbulência dos preços da energia, mas não ficaram imunes à inflação impulsionada por esses aumentos.
Bancos centrais de todo o mundo elevaram as taxas de juros para conter a alta dos preços, o que freia a atividade econômica.
Por outro lado, essas economias registraram um boom nos investimentos em inteligência artificial que levou os mercados de ações a níveis recordes de crescimento.
Segundo o FMI, o montante investido em IA poderá superar os investimentos na construção de ferrovias, na rede elétrica e nas redes globais de telecomunicações.
"Seja amada, odiada ou temida, a IA chegou para ficar e está se tornando rapidamente um fator-chave que determina a sorte relativa dos países na economia mundial", declarou Georgieva na semana passada.
O.Lindberg--StDgbl