Rússia não confirma adesão à trégua energética
A Rússia continua sem se pronunciar nesta segunda-feira (12) sobre o "cessar-fogo energético" anunciado pelos Estados Unidos no fim de semana, enquanto o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que cumpriria a trégua, mas que seu país "responderá" em caso de ataque.
O presidente americano, Donald Trump, informou sobre a trégua dois dias depois de anunciar que havia alcançado um acordo para que a Rússia forneça grandes quantidades de diesel aos mercados americano e mundial, suspendendo, assim, parte das sanções impostas a Moscou.
No entanto, Zelensky afirmou nesta segunda-feira que a trégua não está em vigor e denunciou que a Rússia atacou, na noite de domingo, um campo de gás e um "posto de gasolina comum".
Durante uma participação por videoconferência em um fórum sobre segurança organizado em Varsóvia, o presidente ucraniano assegurou que Kiev não atacou nenhuma instalação energética russa na noite passada, mas advertiu que continuará com seus ataques durante o inverno se a Rússia "não aceitar o cessar-fogo energético".
"Se a Rússia quer que interrompamos nossos ataques de longo alcance contra suas refinarias de petróleo e suas exportações de petróleo bruto, então a Rússia precisa abandonar seus ataques ao nosso sistema energético e à nossa infraestrutura crítica. E parar de massacrar nosso povo", acrescentou.
Por sua vez, o Kremlin se recusa a dizer se deu seu aval à trégua energética anunciada por Trump.
- "Contatos" -
"Os contatos continuam. Assim que tivermos algo a dizer sobre esse assunto, não hesitaremos em informá-los", declarou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.
Os bombardeios ucranianos contra refinarias russas nos últimos meses irritaram Trump, que chegou a sugerir, no sábado (10), que os ucranianos deveriam poder escolher "um novo líder capaz de alcançar um acordo" de paz com Moscou.
Em resposta, Zelensky propôs um cessar-fogo de "60 dias" com a Rússia, o que permitiria, segundo ele, organizar eleições.
Peskov, porém, respondeu que a Rússia só respeitará um cessar-fogo no dia em que essas eventuais eleições forem realizadas.
"Se Kiev realmente quer organizar eleições, então o presidente russo, comandante em chefe, estará disposto a dar a ordem de não bombardear a Ucrânia no dia das eleições. Exatamente no dia das eleições", explicou o porta-voz do Kremlin em uma mensagem divulgada na plataforma russa MAX.
Minutos antes, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, havia rejeitado categoricamente a proposta de Zelensky, afirmando que o presidente ucraniano "não merece" essa pausa nos combates.
Kiev e seus aliados já pediram em outras ocasiões a implementação de uma trégua prolongada para favorecer as negociações de um eventual acordo de paz, mas Moscou sempre se recusou, considerando que as forças russas aproveitariam essa pausa para se reforçar.
- Nova guinada de Trump -
Donald Trump anunciou seu acordo com a Rússia sobre o diesel em um contexto de forte descontentamento da população americana com a alta dos preços dos combustíveis, causada principalmente pela guerra no Oriente Médio, desencadeada pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Com esse acordo, o presidente espera acalmar os consumidores pouco antes das eleições legislativas, que prometem ser difíceis para o republicano.
Diante dessa nova guinada do presidente americano, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, pediu nesta segunda-feira que "todo o Ocidente" adote uma postura mais firme em relação à Rússia do presidente Vladimir Putin, que "luta pela dominação".
O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, considerou que a Rússia não negociará seriamente até estar "sob pressão".
No entanto, no campo de batalha, a situação continua difícil para os ucranianos, com a Rússia intensificando seus ataques, sobretudo na capital, tanto com drones a jato - mais difíceis de interceptar - quanto com mísseis balísticos.
Nesta segunda-feira, pelo menos três membros de uma mesma família morreram em um bombardeio russo em Kramatorsk, perto da linha de frente, no leste da Ucrânia, informaram as autoridades locais.
Nas últimas duas semanas, o Exército russo retomou seus bombardeios contra infraestruturas energéticas ucranianas, provocando grandes cortes de eletricidade.
Isso provocou temor entre a população, que ainda guarda a lembrança do inverno passado, quando milhões de lares ficaram sem aquecimento e energia elétrica durante semanas, em meio a temperaturas glaciais.
B.Karlsson--StDgbl